O silêncio que se instalou na sala da chefia após as palavras cortantes de Frederico era tão denso que eu conseguia ouvir o zumbido sutil dos computadores e o pulsar acelerado do meu próprio sangue. Ele continuava parado bem na minha frente, a poucos centímetros de distância. A imponência física dele, que antes me transmitia uma sensação acolhedora de proteção, agora parecia uma tempestade contida. Seus punhos estavam cerrados ao lado do corpo, e os nós dos seus dedos ostentavam uma palidez rígida. Ele olhava para a belíssima Proteia-Rei pousada sobre a mesa como se aquela flor exótica fosse uma declaração de guerra direta ao seu território.Eu dei um passo para trás, buscando instintivamente restabelecer o espaço que o profissionalismo exigia, mas que a noite anterior quase havia extinguido. O susto com a sua reação violenta começou a se transformar em uma mistura incômoda de constrangimento e indignação.— Frederico, por favor, abaixe o tom de voz — pedi, num sussurro firme, sustent
Ler mais