Arthur narrando O som dos passos apressados ecoando pelo corredor de azulejos brancos quebra o silêncio fúnebre da ala da UTI. Eu continuo parado em frente ao imenso vidro da unidade de isolamento, com os olhos azuis fixos no corpo pálido de Maya, que parece ainda menor cercado por fios, sondas e pelo bipe monótono dos monitores. Minhas roupas ainda guardam as manchas escuras do sangue do meu filho, um lembrete do meu fracasso. Quando me viro, vejo a comitiva da dor avançar. Julian , a mãe de Maya, vem à frente, amparada firmemente pelo namorado Jorge . Logo atrás, a minha própria família: Eleonor com o rosto devastado, Thomas com o semblante rígido de quem conhece o peso de uma tragédia, e meus irmãos, Klaus, Victor e Theo. — Onde está a minha filha, Arthur?! — o grito de Julian se rasga pelo corredor, desabando em lágrimas no instante em que me vê naquele estado. Ela avança e segura os meus braços com força, os seus olhos castanhos, tão parecidos com os de Maya, cravados nos
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