Ponto de vista: PamelaO jatinho cortava as nuvens como uma navalha prateada.Lucas tinha feito uma ligação rapidamente, ainda no carro. O piloto nos esperava no aeroporto em vinte minutos. Não houve tempo para malas, para planejamento, para nada. Apenas nós dois, os documentos na mochila, e a certeza de que precisávamos chegar primeiro.Agora, estávamos ali.Sentados um de frente para o outro nas poltronas de couro creme. O céu lá fora era um azul profundo, salpicado de nuvens brancas que pareciam algodão. O sol da manhã entrava pelas janelas redondas, aquecendo minhas pernas.O jatinho era silencioso. O piloto não falava. O copiloto servia café e suco sem fazer barulho. Pela primeira vez em dias — talvez em semanas, talvez em anos — não havia imprensa, não havia perigo iminente, não havia Sônia, não havia invasor, não havia nada além do zumbido dos motores e a respiração de Lucas.— Você está com fome? — ele perguntou, quebrando o silêncio.— Não sei. — Olhei para a bandeja à minha
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