Os dias seguintes seguiram um fluxo natural. Faculdade. Treinamento para o baile de debutantes. Jantares com meu avô. Noites mal dormidas.Eu via pouco Arthur. O que, teoricamente, era ótimo. Na prática, significava que eu tinha tempo demais para pensar nele.Ele vivia no hospital e, na maioria das noites, só chegava em casa depois do jantar. Às vezes eu ouvia passos no corredor quando já estava no quarto. Outras vezes acordava cedo e percebia que ele já tinha saído. Era como morar com um fantasma muito bonito e inesperadamente bom em me deixar desnorteada mesmo ausente.Ainda assim, numa daquelas manhãs, encontrei a mesa do meu quarto posta para o café da manhã, como estava virando costume. Frutas cortadas, café passado, pão, manteiga... E um item extra.Um quindim.Fiquei parada olhando para ele por uns bons segundos. Redondo, brilhante, perfeito, pousado num pratinho de porcelana.Ao lado, um bilhete: Passei por perto e lembrei de você. Infelizmente.Aquilo arrancou de mim uma risa
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