Erick A mentira tem cheiro.Nem sempre é forte. Às vezes vem disfarçada de perfume caro, de papel timbrado, de assinatura elegante no rodapé de um documento. Às vezes se senta à mesa do conselho, sorri com educação e chama covardia de estratégia.Naquela manhã, eu estava cercado por esse cheiro.Minha sala permanecia escura, mesmo com a cortina aberta e a cidade brilhando lá fora. Havia relatórios espalhados sobre a mesa, registros internos, cópias de e-mails, imagens das câmeras do andar executivo e uma pilha de mensagens impressas que o setor de segurança havia recuperado.No centro de tudo, o nome de Renata aparecia várias vezes.Renata Alves.Minha ex-secretária.A mulher que eu tinha acusado.A mulher que talvez estivesse carregando meu filho.Passei a mão pelo rosto, sentindo o peso da noite mal dormida nos ossos. Eu tinha passado horas revendo tudo: horários, acessos, ligações, conversas. Procurando a falha. Procurando o instante exato em que minha vida saiu do meu controle.M
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