Renata Eu fui sozinha.Não porque queria.Porque precisava provar para mim mesma que conseguia.O hospital particular ficava do outro lado da cidade, num prédio claro, limpo demais, cheio de mulheres acompanhadas por maridos, mães, irmãs, amigas. Mulheres que sorriam segurando exames, acariciando barrigas, dividindo expectativas em voz baixa.Eu me sentei na recepção com a bolsa no colo e as mãos apertadas uma na outra.Sozinha.A palavra pesava.Tentei não olhar ao redor, mas era impossível. Um homem ajoelhado amarrava o cadarço da esposa grávida. Outro segurava um copo de água para a companheira. Uma senhora acariciava os cabelos da filha, dizendo que tudo ficaria bem.E eu ali, tentando não chorar antes mesmo de ser chamada.Levei a mão à barriga, respirando fundo.— Está tudo bem, meu amor — sussurrei. — Nós dois estamos bem.Meu celular vibrou.Erick.O nome dele apareceu na tela como uma provocação do destino.Não atendi.Ele ligou de novo.Recusei.Na terceira vez, uma mensage
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