Fui avisada do baile como se avisam coisas sem importância.Entre um pedido de café e outro, entre uma ordem e um suspiro impaciente.— Caterina.Francesca estava no telefone, sentada na poltrona da sala menor, aquela reservada para anúncios que não mereciam o escritório. O tom dela era neutro demais. Sempre é quando algo já foi decidido.— Amanhã à noite haverá um baile de máscaras — disse, cobrindo o telefone com a mão. — Um evento importante. Fora desta casa.Assenti, esperando o complemento. Ele sempre vinha.— Você ficará aqui.Não “não poderá ir”.Não “não está convidada”.Ficará aqui. Como se fosse escolha. Como se eu fosse móvel.— Entendido — respondi.Ela voltou ao telefone, dispensando-me com um gesto mínimo, como quem afasta poeira do ar. Eu já estava virando quando ouvi as vozes.Isabella surgiu primeiro, quase pulando os últimos degraus da escada.— Um baile de máscaras! — disse, os olhos brilhando. — Um baile de verdade, Chiara!Chiara veio logo atrás, ajeitando o cabel
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