Stella BlakeSeis meses depois do resgate, a vida tinha se reorganizado como uma casa após uma tempestade. As marcas nos meus pulsos viraram cicatrizes claras, quase invisíveis. Os pesadelos diminuíram de todas as noites para duas, três vezes por semana. O medo de sair na rua ainda existia, mas eu aprendi a empurrar ele para um canto da mente, trancar a porta, e seguir em frente.A barriga estava enorme. Nove meses. O Benjamin, ou a Sofia — ainda não sabíamos o sexo, decidimos deixar para a hora do nascimento — não parava de mexer. Chutes, cotoveladas, viradas completas. A Alana falava com ele ou ela todos os dias, encostava a boca na minha barriga e contava da escola, da Celeste, do passeio no parque.— Sai logo, bebê. A mamãe está cansada.— Sai logo, bebê — a Celeste repetia, na voz fina que a Alana inventava para ela.Dominic tinha se tornado um guardião. Ele não me deixava carregar peso, subir escada, dirigir. Contratou uma doula, uma obstetra particular, montou um quarto no apar
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