A rotina começou a se reorganizar. Devagar. Como uma casa que a gente arruma depois da tempestade. Dominic passou a vir todos os dias. De manhã, para levar Alana na escola. À tarde, para buscar. No meio do caminho, tinham lanche no parque, picolé na esquina, volta no shopping. Ele aprendia os gostos dela: morango, não chocolate; desenho, não pintura; boneca, não carrinho. Aprendeu que ela chora quando vê filme triste, que ela ri quando fazem cócegas, que ela aperta os olhos quando está mentindo — igual a ele.Eu observava de longe. Na maioria das vezes, ficava no banco do parque, no carro, na porta da escola. Não queria atrapalhar. Não queria sentir. Mas sentia. Cada risada dela era um soco no peito. Cada olhar dele era um lembrete do que a gente perdeu.Meg não se cansava de repetir.— Você está deixando ele entrar.— Estou deixando ele ser pai.— Ser pai é diferente de ser marido.— Eu não quero marido.— Você quer.— Não quero.— Quer, sim. Olha sua cara quando ele chega. Olha como
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