CarolinaOuvir dele que eu não seria mandada embora deveria ter sido um alívio puro, libertador. E, por um breve instante, foi exatamente isso: meu peito se soltou um pouco, como se uma corda apertada ao redor das costelas tivesse afrouxado, e o nó na garganta se dissolveu em parte, deixando espaço para o ar voltar a circular. Eu não sabia como teria coragem de encarar meus avós à noite, com a voz embargada, e confessar que havia sido demitida no primeiro dia — a neta que eles tanto apostavam, voltando de mãos vazias.Mas graças a Rosário, eu ainda tinha uma chance. Soltei um suspiro longo, trêmulo, de puro alívio. Ele já estava saindo da cozinha, os passos pesados ecoando no piso de cerâmica, quando, num impulso que nem eu mesma entendi, fui atrás dele.— Obrigada — disse, apressada, a voz saindo mais fina e aguda do que eu gostaria, quase um fio de voz. — Obrigada por me deixar ficar. Eu juro que não vai se arrepender.Ele parou no meio do corredor, virou-se devagar, como se cada mo
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