Eu a observava dormir. Há três dias, minha vida havia parado naquela suíte. Eu, que sempre fui mestre em controlar cada variável dos meus negócios, me vi impotente diante de uma reação alérgica a um tranquilizante de cavalo. Cada vez que a febre de Victoria subia, eu sentia uma parte da minha frieza habitual trincar.Aquela manhã estava clara, e o rosto dela, finalmente, tinha recuperado o tom rosado. Eu tinha decorado cada sarda, cada curva de seus lábios. Quando ela abriu os olhos, o pânico que brilhou neles me atingiu como um soco. Ela tentou se levantar, o corpo ainda frágil pela droga, e eu instintivamente coloquei a mão em suas costas. Senti o tremor dela sob meus dedos.— Onde estou? — a voz dela era um sussurro quebrado. — Na minha casa, Vick — respondi, tentando manter a voz firme, embora meu peito estivesse apertado de preocupação.Quando a realidade a atingiu — a traição do pai, o horror do armazém —, ela desabou. Victoria se agarrou à minha camisa de linho como se eu
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