O ciúme não veio como explosão. Veio como decisão.Fria. Calculada. Necessária.Porque, naquele ponto, ficar era perder terreno — emocional, estratégico e, principalmente, de controle — e eu não ia permitir isso, não depois do que tinha acabado de acontecer, não depois de ver, com clareza incômoda, o quanto Arthur ainda guardava coisas que eu não controlava.Eu peguei a bolsa sem pressa, o movimento limpo, sem hesitação, e só então levantei o olhar para ele, sustentando o suficiente para deixar claro que aquilo não era fuga.Era escolha.— Onde você vai?A pergunta saiu rápida demais. Mais emocional do que ele pretendia.Eu inclinei levemente a cabeça.— Resolver o que não é aqui.Ele deu um passo à frente.— Isso não resolve nada.Eu segurei o olhar, sem ceder.— Ficar também não.Silêncio.Pesado.Carregado de tudo que nenhum dos dois queria admitir.Laura observava encostada na mesa, como se aquilo fosse exatamente o desfecho que esperava, o sorriso contido demais para ser ignorado
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