Ele suspirou, passando a mão pelo maxilar, sentindo a verdade da provocação.— Se ela aceitasse que já acabou esse casamento, tava ótimo. Mas não. Eu falo em sair de casa, ela complica, faz drama, ameaça colocar as meninas contra mim. — O olhar dele se perdeu por um segundo na luz quente do restaurante. — Eu quero sair de casa. Só que toda vez vira uma guerra emocional.A palavra “guerra” ficou pairando entre eles, pesada demais para a suavidade do ambiente. Ao redor, outras mesas riam, garçons cruzavam o salão com pratos fumegantes, talheres tilintavam contra porcelana. Mas na mesa deles o clima tinha ganhado densidade.O garçom se aproximou nesse momento, quebrando o fio tenso da conversa. Henrique endireitou a postura. Lívia fechou o semblante reflexivo e abriu o cardápio. Falaram sobre os pratos com uma leveza quase artificial.— Vou pedir uma taça de vinho — ela decidiu, fechando o menu.— Eu não. Estou dirigindo — ele respondeu.Os pedidos foram anotados. O garçom se afastou.O s
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