Leornado O sol da manhã filtrava-se pelas cortinas semiabertas da sala de estar, projetando padrões suaves no piso de madeira. Eu estava sentado à mesa de jantar com uma xícara de café preto à minha frente; o aroma subia devagar, quente e familiar, mas estranho ao mesmo tempo. Não me lembrava da última vez que havia tomado café ali, naquele espaço que sempre servira mais como uma extensão do meu trabalho do que como um lar. As paredes pareciam ecoar o silêncio de sempre, mas agora, com Sofia no quarto ao lado e Anna na cozinha, o ar ganhava uma textura diferente: menos vazia e menos impessoal.Elisa surgiu na minha mente sem aviso. Eu a via aos doze anos, no quintal da casa antiga, rindo enquanto me perseguia com uma mangueira de jardim. “Você é muito sério, Leornado!”, ela gritava, com o cabelo molhado grudado no rosto. Eu fingia irritação, mas no fundo ria também; era uma das poucas vezes em que eu permitia que a guarda baixasse, antes de o mundo me ensinar que risos eram distraçõe
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