Leornado A casa estava silenciosa àquela hora da madrugada. Sofia dormia profundamente no berço, com a respiração regular monitorada pelo aparelho ao lado da cama, mas eu não conseguia dormir. O corpo ainda carregava a tensão do dia , as malas quase prontas para o Rio, a agenda ajustada e o peso das palavras que eu havia dito a Beatriz sobre Anna voltar para casa. Tudo parecia correto, racional e necessário, mas o sono não vinha.Levantei-me para pegar um copo d’água na cozinha. O corredor estava escuro, iluminado apenas pela luz fraca que escapava da cozinha, e caminhei devagar, com os pés descalços no piso frio, tentando não fazer barulho. Foi então que ouvi: um som baixo, abafado, vindo do quarto de hóspedes, eram gemidos suaves, ritmados, entrecortados por respirações aceleradas. Parei no mesmo instante, com o corpo inteiro em alerta. Era Anna.Meu primeiro impulso foi bater na porta e perguntar se estava tudo bem, mas o som mudou para um gemido mais profundo, mais longo, seguido
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