Anna Acordo às 5:47 todos os dias úteis, não por vocação matinal, mas porque Leornado Voss atravessa a porta giratória do prédio às 7:30 em ponto. Preciso estar na mesa dele às 7:28 com o relatório de fechamento do dia anterior, o café preto sem açúcar a exatos 68 graus e a agenda impressa com as três prioridades que ele nunca solicitou, mas que sempre consulta.Hoje, o roteiro foi seguido à risca. Cheguei às 7:25, enquanto o elevador privativo permanecia em um silêncio absoluto. Posicionei o copo térmico na bandeja de prata, ele considera copos de papel uma afronta à “experiência sensorial”, e abri o notebook, onde o cursor piscava com uma paciência infinita.Às 7:30, ele surgiu. Sem cumprimento verbal ou contato visual desnecessário, ouvi apenas o som ritmado dos sapatos no mármore e o clique do paletó sendo colocado no cabide.— Bom dia, senhor Voss.Ele sentou-se, abriu o notebook e emitiu a primeira instrução do dia com uma voz neutra como um relatório financeiro:— O relatório
Ler mais