RenataO teste de farmácia estava sobre a pia do banheiro há quase vinte minutos. Duas linhas rosa fortes, inconfundíveis. Eu havia feito três testes diferentes , marcas variadas, horários diferentes , e o resultado era o mesmo: positivo.Sentei-me na borda da banheira, as mãos trêmulas segurando o último teste. Enzo dormia no quarto ao lado, Lara estava na escola. A casa estava silenciosa, exceto pelo som distante do ar-condicionado e pelo meu próprio coração batendo forte nos ouvidos.Não era surpresa total. Os enjoos matinais, a fadiga que eu atribuía ao retorno ao trabalho, o atraso que já durava quase seis semanas… Tudo se encaixava. Mas confirmar aquilo no papel — ou no plástico — tornava real de uma forma que eu ainda não estava preparada para processar.Levantei-me devagar, lavei o rosto com água fria e olhei-me no espelho. Meu reflexo parecia o mesmo de sempre: olheiras leves, cabelo preso num coque prático, o bracelete de diamantes brilhando no pulso. Mas algo havia mudado.
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