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Marcelo
Minha mãe ajeitou minha gravata, depois de eu a frouxa-la pelo menos umas cinco vezes.
— Vai acabar fazendo um buraco no chão. — Ela disse, observando meus pés inquietos.
— Estou nervoso, é o meu casamento. — Respondi, me afastando e espiando pela fresta da porta. O carro de Anita ainda não havia chegado. Ela estava atrasada muito atrasada.
— Noivas sempre atrasam, pare com isso, está me deixando nervosa. — Minha mãe olhou para o relógio no pulso.
Sabíamos que noivas costumam se atrasar. Mas não Anita. Ela planejou cada detalhe meticulosamente. Ela odiava atrasos.
Puxei o celular do bolso e liguei para ela pela quinta vez na última hora. Nenhuma resposta. Os pais de Anita também não haviam chegado e não atendiam o telefone. O aperto no meu peito cresceu. Algo estava errado.
— Isso já tá ridículo. O casamento era às dezoito horas, já são quase oito. Eu vou até ela. — Declarei, minha paciência está se esgotando.
Minha mãe suspirou, preocupada.
— Bem, realmente, Anita não costuma sumir assim. Pelo menos teria avisado a cerimonialista...
Abri a porta e saí. Os convidados me olharam, aLarados, achando que a cerimônia finalmente começaria.
— Sei que estão esperando há muito tempo. Sei que noivas se atrasam, mas a minha está se superando. Vou ver o que aconteceu e volto. — Avisei antes de seguir para a saída da igreja.
Foi quando a vi.
Emily, a melhor amiga de Anita, estava parada no corredor. Segurava o celular com força, os ombros tremendo. Ela chorava.
Minha respiração falhou.
Acelerei o passo até ela.
— Emily, aconteceu alguma coisa?
Ela balançou a cabeça, mas não era comigo que falava.
— Isso não pode ser verdade... Onde ela está? Eu... — Sua voz falhou e, de repente, suas pernas cederam.
Avancei e a segurei antes que caísse.
— Que diabos está acontecendo? — Minha voz saiu cortante, o pânico começando a tomar conta.
Minha mãe gritou por socorro, mas meu foco estava em outra coisa.
O celular de Emily escorregou de seus dedos, e eu o agarrei antes que caísse no chão. O nome de Anita brilhava na tela.
Atendi.
— O que disse para sua amiga?
A linha estava cheia de ruídos, sirenes ao fundo. Então, uma voz masculina respondeu:
— Alô? Ela está sem documentos preciso que alguém venha.
Meu sangue gelou.
— Quem está falando?
— Estou no local do acidente. Alguém pode vir até aqui?
Meu coração despencou.
— Acidente?
— Sim... Bem, não posso continuar falando. Vou te passar o endereço. Consegue chegar? Os socorristas ainda estão com ela. O celular dela não parava de tocar, então eu atendi...
Meus dedos apertaram o telefone com força, a pausa do outro lado vinha com um couro de horror atrás dele.
— Continua...
A voz do homem vacilou.
— Eu lamento muito.
O mundo pareceu girar ao meu redor.
— O que quer dizer com isso?
Um silêncio pesado se estendeu antes da resposta.
— Ela não resistiu.







