MarceloO dia tinha sido longo, como a maioria deles. Reuniões, e-mails, números que pareciam nunca acabar. Mas, enquanto o sol começava a sumir lá fora, filtrado pelas cortinas da minha sala, eu sentia algo diferente. Não era só o cansaço de sempre. Era a lembrança do almoço, do jeito que Renata desviava o olhar, corando, como se carregasse um segredo que eu não podia alcançar. Ela estava estranha hoje, mais quieta, mais… nervosa. O que tá acontecendo com você, Renata? Ou, pior, por que eu me importo tanto com isso?Sentei na cadeira, tamborilando os dedos na mesa, tentando focar nos relatórios abertos na tela. Mas minha cabeça voltava pro momento em que nossos olhares se cruzaram no restaurante. Ela quase derrubou a caneta, o rosto vermelho, e eu… eu não consegui parar de olhar. Os olhos azuis, as sardas discretas, o fio de cabelo solto no coque. Como eu não tinha reparado nisso antes do jantar com a Lara? Era como se, agora, eu não pudesse mais fingir que não via.O som dela organiz
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