O pôr do sol nas montanhas foi uma pintura de tons violeta e alaranjados, um espetáculo de luz que parecia zombar da escuridão que residia no peito de ambos. Durante o piquenique, conversaram sobre amenidades, vinhos, arquitetura, a brisa do platô. Para quem passava pelas trilhas distantes, eles eram a imagem da perfeição: um casal jovem, belo e intocável. Ninguém poderia ouvir o som do gelo trincando sob o peso daquela farsa.Ao retornarem à mansão, a noite já havia engolido os jardins, Helena sentia o corpo pesado, exausta não pelo esforço físico, mas pela ginástica mental de tentar decifrar o homem ao seu lado.— Boa noite, Lorenzo — ela murmurou no topo da escada, sem esperar por uma resposta.Ela entrou em seu quarto, trancou a porta e tomou um banho quente. Em pouco tempo, o cansaço venceu , e ela adormeceu, um sono profundo e sem sonhos.No quarto ao lado, Lorenzo não encontrava a mesma paz.Ele estava sob o chuveiro, a água gelada batendo contra seus ombros largos, mas o fogo
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