Eu estava na garagem da base aérea, acompanhando os últimos detalhes da manutenção do caça que voaria no fim de semana, quando percebi que meu corpo estava ali, mas minha cabeça não. O cheiro de graxa, querosene e metal aquecido sempre teve algo de reconfortante para mim — era o tipo de ambiente onde tudo fazia sentido, onde cada peça tinha uma função clara, onde não havia espaço para dúvidas emocionais. Ainda assim, nada daquilo conseguia me ancorar de verdade. Minha mente insistia em voltar para o mesmo ponto, repetidas vezes, como um radar preso no mesmo alvo.Sadie.O jeito como ela me olhou naquela varanda, a vulnerabilidade exposta sem defesas, o beijo que parecia ter atravessado o tempo para finalmente acontecer. E, principalmente, a dúvida nos olhos dela — misturada com algo mais profundo, mais perigoso, algo que eu queria acreditar, com todas as forças, que fosse amor.O celular vibrou no bolso do macacão de voo, arrancando-me daquele turbilhão. Peguei o aparelho ainda com as
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