Fernanda Vasques
O escuro do apartamento parecia ganhar formas retorcidas. No meu sonho, eu ainda estava naquele carro, o cheiro de vinho e o hálito metálico do Fred me sufocando, as mãos dele me prendendo enquanto o mundo girava. Eu tentava gritar, mas a voz não saía.
Acordei com um solavanco, o coração martelando contra as costelas como um pássaro enjaulado. Meus olhos se abriram no escuro, e por um segundo, eu não sabia onde estava. O pânico subiu pela minha garganta, quente e ácido.
— Ei, ei