No dia seguinte, acordei com a sensação física de ressaca, mas sem ter encostado em uma gota de álcool. Era outra coisa, ressaca moral, talvez. Por alguns segundos, ainda nos 10% de inconsciência entre o sono e a vigília, o cérebro tentou seguir a programação normal: “acorda, Emmy, rotina, café, criança, trânsito, estágio, vida”.Aí, como se alguém tivesse apertado um replay interno, as imagens da noite anterior passaram num filme acelerado: sofá, luz baixa, Joana dormindo, a mão do Matteo no meu rosto, o beijo.Meu estômago deu uma cambalhota.Virei de lado, enterrei o rosto no travesseiro e gemi baixinho.— Parabéns, Emmy — murmurei pra mim mesma. — Você conseguiu adicionar “beijar o chefe bilionário obcecado por controle” na lista de complicações da vida.Fiquei ali mais alguns minutos, tentando decidir qual emoção tinha prioridade: culpa, medo, alegria idiota, desejo, pânico. Todas disputavam espaço, empurrando umas às outras.No fim, a necessidade de café venceu todas.Levantei,
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