Os dias depois daquilo passaram de um jeito estranho… e ao mesmo tempo bom demais para ser ignorado. A rotina da fazenda continuou, as vacas, a cerca, os cavalos, as refeições simples. Mas Thomas já não era mais apenas o homem que apareceu ferido numa noite de chuva. Ele estava ali em tudo. No silêncio confortável das manhãs, nos olhares demorados, nos toques que pareciam casuais demais para serem realmente inocentes. À noite, quase sempre depois que eu já estava deitada, eu o ouvia falando ao telefone. Voz baixa, firme, carregada de algo que eu não conseguia decifrar completamente. Às vezes palavras soltas chegavam até mim — prazo, documentos, investidores, não agora. Ele trabalhava até tarde, sentado à mesa da cozinha ou encostado na varanda, encarando o escuro como se a cidade estivesse escondida ali, além das árvores. E, mesmo assim, ele ficava. Eu sabia que estava fazendo esforço para não ir embora. Sentia isso no jeito como desligava o telefone com irritação, no suspiro pesa
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