Eu precisava sair dali. O ar da fazenda parecia pesado demais, carregado de tudo o que tinha acontecido. Montei no meu cavalo quase sem pensar, puxando as rédeas com mais força do que o necessário. O corpo dele respondeu de imediato, seguindo pela estrada de terra na direção da casa de campo. O vento batia no meu rosto, misturando-se às lágrimas que eu ainda não tinha deixado cair. Meu coração estava acelerado, não só pelo que tinha acontecido, mas pela sensação de ruptura. Como se, a cada passo do cavalo, eu estivesse deixando uma versão antiga de mim para trás. Foi então que tudo aconteceu rápido demais. Um carro surgiu de repente na estrada, vindo em alta velocidade. O motorista parecia distraído, olhando para baixo por um segundo longo demais. Vi os faróis se aproximarem, senti o pânico atravessar meu corpo como um choque. — Ei! — gritei, puxando as rédeas bruscamente. O carro desviou no último instante, passando perigosamente perto de mim. Meu cavalo relinchou assusta
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