Eu acordei antes do despertador tocar e, por alguns segundos, fiquei encarando o teto como se ele fosse me dar alguma resposta que eu ainda não tinha formulado direito. A luz da manhã entrava tímida pela fresta da cortina, desenhando uma linha clara na parede. Era domingo. Não havia compromissos urgentes, nem reuniões, nem aquela sensação constante de que eu estava sempre atrasado para alguma coisa. Mesmo assim, meu corpo despertou antes da hora, como se já soubesse que o dia vinha carregado de expectativa.Fiquei ali, respirando fundo, ouvindo o silêncio da casa. Era um silêncio diferente do que eu estava acostumado meses atrás. Antes, ele pesava. Agora, ele só antecedia o barulho bom que eu sabia que viria.E veio.Passos correndo pelo corredor. Pequenos, descompassados, acelerados demais para quem tinha acabado de acordar. Eu sorri antes mesmo da porta abrir.Ela não bateu. Nunca bate quando está animada.— Paaaaai!Lívia entrou pulando na minha cama como se estivesse saltando num
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