Depois de sonhar tão nitidamente com Letícia, acordei sobressaltado, com o coração acelerado e a respiração curta, como se tivesse acabado de emergir debaixo d’água. Demorei alguns segundos para entender onde estava. O quarto ainda estava escuro, silencioso demais, e por um instante tive a sensação cruel de que nada tinha mudado, de que ela ainda deveria estar ao meu lado.Mas não estava.Passei a mão pelo rosto, esfregando os olhos, tentando afastar aquela sensação incômoda que sempre vinha depois desses sonhos. Eles eram traiçoeiros. Não vinham com frequência, mas quando apareciam, pareciam reais demais, detalhados demais. O sorriso de Letícia, a forma como me chamava pelo nome, o jeito como estendia a mão… tudo parecia palpável.Não consegui voltar a dormir.Levantei devagar, calçando as pantufas, e saí do quarto com cuidado para não fazer barulho. Antes de qualquer coisa, fui até o quarto de Lívia. A porta estava entreaberta, e a luz fraca do abajur deixava o ambiente em um tom ac
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