A segunda-feira chegou como segunda-feira sempre chega — sem pedir licença, com a lista de coisas que o fim de semana havia adiado.Rodrigo saiu às seis e meia com a pontualidade de sempre. Henrique saiu às sete menos dez, mais cedo que o normal, e Érica ouviu a Hilux no portão ainda deitada, ainda acordada, o teto do quarto familiar demais para o estado em que estava.Havia dormido mal.Não a insônia ansiosa de quem não consegue parar de pensar — era quase o oposto, uma espécie de exaustão que pesava demais para deixar o sono leve mas não era profunda o suficiente para descansar de verdade. Havia ficado numa camada intermediária a noite inteira, meio dentro e meio fora, com fragmentos de sonho que não eram sonhos e pensamentos que não eram pensamentos e a voz de Henrique repetindo há mais tempo do que devia num tom que o sono distorcia mas não apagava.Às sete e meia desistiu.O café da manhã foi só dela.Dona Lúcia havia dormido até mais tarde — progresso real, o corpo finalmente ced
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