O cargueiro Santa Marta levou onze dias para cruzar o Atlântico. Onze dias de identidades falsas, cabines abafadas e o cheiro constante de óleo de máquina e café barato. Julyan passava as madrugadas decriptando o conteúdo da cápsula de Sia coordenadas, fragmentos de áudio, fotos antigas — enquanto Kyara aprecia a proa sozinha, olhando para o oceano como se tentasse apagar o Mediterrâneo da memória.Quando o Brasil apareceu no horizonte, era uma parede verde-escura que parecia engolir o céu.Manaus os recebeu com calor úmido e o barulho caótico de uma cidade que vivia entre dois mundos — o moderno e o selvagem. O aeroporto, o mercado flutuante, as ruas com cheiro de borracha e peixe frito. Tudo ao mesmo tempo, sem pedir licença.Sia os encontrou num hostel discreto no centro histórico. Ela estava mais calma agora, sem o rifle, usando calça cargo e expressão de quem dormira pouco mas pensara demais.— As coordenadas apontam para o Rio Negro acima, perto de Santa Isabel — ela disse, espa
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