A notícia chegou com o barco de suprimentos.Era assim que a comunidade recebia contato com o mundo exterior — uma vez por semana, um barco vindo de Santa Isabel trazia mercadorias, correspondência e, ocasionalmente, informações. Naquela manhã, o barqueiro chamado Edmar desceu com sacos de farinha, querosene, e uma expressão que não combinava com a rotina.— Sia — ele chamou, antes mesmo de amarrar o barco. — Precisa ver isso.Sia foi até ele. Os dois conversaram em voz baixa por um momento, e Kyara, que ajudava a descarregar as caixas com Julyan, percebeu a mudança na postura de Sia — os ombros endurecendo, a cabeça inclinando levemente, o jeito que ela sempre ficava quando processava uma ameaça.— O que foi? — Julyan perguntou, já se aproximando.Sia entregou um celular a Julyan — não o dela, o de Edmar, com sinal precário mas funcional.— Em Santa Isabel — Edmar disse — apareceram dois homens há três dias. Perguntando sobre estrangeiros na região. Mostrando fotos.Julyan olhou a te
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