Julyan Fort O silêncio do meu escritório no 40º andar era a única coisa que mantinha a minha sanidade intacta. Eram onze da noite. Chicago, lá fora, era um emaranhado de luzes douradas e movimento frenético, mas aqui dentro, tudo era cinza, aço e controle. Pelo menos, deveria ser. Abri a gaveta lateral da minha mesa de carvalho e retirei uma pasta de couro preta. Não continha relatórios da Miller Corp, nem estratégias de aquisição. Dentro, havia uma única fotografia, tirada de longe, em um evento de caridade há seis meses. Nela, Kyara Miller sorria para alguém fora do quadro, o vestido de seda vermelha moldando curvas que me perseguiam em cada sonho que eu tentava, inutilmente, suprimir. Passei o polegar sobre o papel fotográfico. Um gesto perigoso. Um gesto que, se André Miller visse, seria o meu fim. André não era apenas meu mentor; ele era o homem que me tirou da obscuridade de uma firma de contabilidade de quinta categoria e me deu as chaves do reino. Eu lhe devia lealda
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