Rafael VenturaA noite em Belo Horizonte tinha um cheiro de asfalto quente e perfume caro, mas para mim, tinha o gosto de derrota. Eu estava em um hotel de luxo, o tipo de lugar onde o dinheiro compra silêncio, mas não compra paz. Melissa estava ao meu lado, uma visão de perfeição estética que, horas antes, eu tentei usar como anestesia.O sexo tinha sido técnico, coreografado, como tudo na vida dela. Não havia a urgência faminta que eu tinha com a Lorena, nem aquele encaixe de almas que me fazia sentir que o mundo parava. Com a Melissa, era apenas atrito. Era pele contra pele, um esforço hercúleo de minha parte para não fechar os olhos e chamar o nome da mulher que eu mesmo expulsei.Eram três da manhã quando eu perdi o sono. Sentei-me na beira da cama de lençóis de cetim, sentindo o peso do uísque latejar nas têmporas. Olhei para o lado. Melissa dormia profundamente, o rosto impecável mesmo no sono, os cabelos loiros espalhados pelo travesseiro como se estivessem posando para uma re
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