Rafael Ventura Passei as mãos pelo rosto, sentindo o cansaço de mil anos. Fiquei horas ali, no escuro, apenas com o brilho dos relatórios que agora não faziam sentido nenhum. Eu estava tentando organizar meus pensamentos, tentando enterrar aquele medo irracional de ser destruído de novo.— Rafael?A voz dela veio como um bálsamo, mas eu ainda estava armado.Olhei para a porta. Lorena estava parada ali, a moldura da luz do corredor atrás dela. Ela estava usando uma das minhas camisas de linho brancas. A peça ficava enorme nela, batendo no meio das coxas, deixando as pernas que eu tanto beijei à mostra. O cabelo estava bagunçado, os pés descalços.Ela era a imagem da paz. E eu era o caos.Meu corpo reagiu antes da minha mente. Ver aquela mulher ali, com a minha roupa, na minha casa, sendo minha... fez meu pau endurecer na hora, uma resposta bruta à ameaça que eu acabara de ouvir.—Você ainda está aqui? — Ela entrou devagar, franzindo a testa bonita. —Já passou da meia-noite, meu amor.
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