Rafael VenturaDepois do banho, nos deitamos. O silêncio da noite na fazenda sempre foi profundo, mas, naquela madrugada, parecia carregar o peso de mil tempestades. Eu estava deitado, com Lorena aninhada no meu peito, sentindo a respiração dela finalmente desacelerar depois de tantas horas de tensão.O quarto estava mergulhado na penumbra, iluminado apenas pelo reflexo do luar que atravessava as frestas da persiana, desenhando linhas prateadas sobre os lençóis.Faltavam apenas setenta e duas horas. Três dias. O tempo não estava correndo; ele estava escorrendo entre meus dedos como areia movediça.O toque estridente do meu celular sobre a mesa de cabeceira rasgou o silêncio como uma facada. Lorena deu um salto, o coração dela batendo rápido contra a minha pele. Peguei o aparelho com urgência, sentindo um pressentimento que me fez travar a mandíbula. Era o Dr. Arnaldo.— Fala, Arnaldo. A essa hora? — Minha voz saiu rouca, carregada de um alerta instintivo.— Rafael, escuta bem e não me
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