Lorena Azevedo
O despertador tocou às seis da manhã, mas meu corpo já estava alerta. Havia uma eletricidade diferente no ar hoje. Olhei para o lado, para o berço onde Vitória dormia com os punhos fechados perto do rosto, a respiração tão leve que eu precisava me inclinar para ouvir.
Dois meses. Sessenta dias.
Parecia que foi ontem que o mundo desabou no Rio de Janeiro, que o peito dela foi aberto por mãos habilidosas para que ela pudesse continuar batendo o seu próprio tambor. Dois meses desde