Marcelo ali, parado, ainda com a mesma roupa, o mesmo olhar carregado que ficou no carro, só que agora mais intenso, mais exposto, como se ele tivesse perdido a última camada de controle no caminho até aqui. Eu o encaro, sem saber exatamente o que dizer, sentindo o coração acelerar de um jeito que eu não consigo disfarçar. — Posso entrar? — ele pergunta, a voz mais baixa, quase cuidadosa. Eu demoro um segundo a mais do que deveria, não por dúvida, mas porque tudo dentro de mim ainda está em desordem. Mesmo assim, dou espaço. — Claro. Entre. Ele entra devagar, como se respeitasse cada centímetro daquele lugar que ainda é estranho pra mim também. Eu fecho a porta atrás dele e me viro, apoiando as costas na madeira por um instante, como se precisasse daquele apoio. Senti minhas pernas bambas por alguns minutos. Talvez fosse pelo inesperado de ele estar ali. Ou fosse por mim, sentindo meu coração tão acelerado, que mal consigo esconder. — Desculpa aparecer assim — ele diz,
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