O sol ainda estava alto quando vi o carro parar na entrada da vila, levantando uma poeira fina que dançava no ar quente da tarde. Reconheci antes mesmo de descerem, talvez por intuição, talvez porque, no fundo, eu estivesse esperando por esse momento desde que voltei. Limpei as mãos no avental do quiosque, o cheiro de peixe e limão ainda grudado nos dedos, e caminhei até eles com o coração batendo mais rápido do que deveria. Angélica foi a primeira a sair, elegante até na simplicidade, com um olhar curioso percorrendo tudo ao redor, como se estivesse tentando encaixar aquele lugar na ideia que tinha de mim. Logo atrás veio o marido dela, Roberto, carregando algumas bolsas, e o Bernardo, que praticamente pulou do carro, olhando para tudo com uma empolgação que me fez sorrir sem esforço. Carlos apareceu por último, mais contido, mas com um meio sorriso que dizia mais do que qualquer palavra. — Então é aqui que você se escondeu do mundo? — Angélica disse, abrindo os braços antes mes
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