Cristian sempre acreditou que controle era uma escolha. Uma decisão fria, racional, estratégica. Ele escolhia o que sentia, quando sentia e por quem sentia. Ou, pelo menos, foi isso que repetiu para si mesmo durante anos, até transformar a própria mentira em verdade confortável.Até Rayana.O nome dela tinha se tornado um pensamento intrusivo. Não doce — intrusivo. Como uma música que começa baixa, quase imperceptível, e quando ele percebe já está alta demais para ignorar, ocupando todos os espaços do silêncio.Ele estava sozinho no escritório naquela noite. A cidade brilhava além do vidro, organizada em linhas de luz e concreto. Tudo ali era previsível. Estruturado. Sob controle.Diferente dela.Rayana era um erro estatístico.Desde o primeiro dia em que a viu cruzar o corredor — recebida por Lucrécia, com seu olhar atento e postura impecável, avaliando cada detalhe daquela nova presença — algo não encaixava. Não era apenas beleza. Beleza ele já tinha visto, analisado, descartado. Er
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