O PAI QUE EU PRECISAVA SALVAR O carro parou diante de um portão de ferro que parecia pesado demais para uma simples casa de campo em Itu. O motorista do Vincent, um homem que raramente piscava e nunca falava, apenas acionou o controle. Entramos. A propriedade era bonita, do tipo que sai em revista de arquitetura, mas o brilho das cercas elétricas nos muros altos estragava a estética. O Vincent não tinha libertado o meu pai; ele tinha apenas mudado o endereço da custódia. Desci do carro e senti o cheiro de mato e terra molhada. Caminhei em direção à varanda e o vi sentado em uma poltrona de vime, olhando para o nada. O Roberto Whitmore que eu conhecia, o homem que comandava canteiros de obra com um grito, tinha desaparecido. O que sobrou foi um senhor de ombros caídos, vestindo um suéter de lã que parecia grande demais para ele. — Lena — ele disse, a voz saindo rouca enquanto tentava levantar. — Fica sentado, pai. Aproximei-me e dei um beijo rápido no rosto dele. Senti um tr
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