O CARRO DE VOLTA O asfalto da Rua da República tava escuro, molhado por aquela garoa fina e nojenta de São Paulo que gruda na pele e não seca nunca. Desci os degraus de pedra do prédio comercial em silêncio absoluto. O vento cortou meu rosto assim que pisei na calçada, mas eu mal senti o frio. A adrenalina ainda corria bruta nas minhas veias, latejando no compasso exato da dor aguda que irradiava do meu braço direito. O SUV blindado da Blackwood tava parado em fila dupla, com o pisca-alerta ligado, engolindo quase uma faixa inteira da rua. Não tinha motorista de terno preto esperando do lado de fora com guarda-chuva. Não tinha a escolta padrão. O Vincent destravou as portas de dentro. O barulho metálico da trava me puxou de volta pra realidade. Caminhei até o carro, puxei a maçaneta pesada e entrei no banco do carona. Bati a porta com força. O baque surdo da blindagem de nível três cortou o barulho do trânsito, das buzinas
Leer más