Quando Adriano me segurou em seus braços, o tempo pareceu parar ali. Não havia som algum além do vento e do meu próprio coração, batendo alto demais dentro do peito. O rosto dele estava a centímetros do meu. Os olhos escuros, atentos, intensos.Por um instante, tive certeza de que ele ia me beijar. Vi a intenção passar pelo olhar dele, vi o conflito, vi o desejo contido, quase doloroso. Meus lábios se entreabriram sem que eu percebesse, a respiração curta, o corpo inteiro respondendo àquele silêncio carregado.Mas o beijo não veio. Adriano piscou, como se acordasse de um transe, e me soltou. Deu um passo para trás, recompondo a distância, a postura e o controle. Em seguida, caminhou até o cavalo, segurou as rédeas e voltou-se para mim.— Suba — disse. — Vamos para casa.Hesitei apenas um segundo antes de aceitar a mão que ele estendeu. Subi na garupa, sentando-me atrás dele. Minhas mãos procuraram apoio, tocando-lhe a cintura com cuidado. O cavalo começou a andar, e eu senti o movimen
Leer más