Rafael demorou alguns minutos parado diante da porta do quarto de Helena. Do outro lado, silêncio. Um silêncio pesado, denso, diferente do habitual. Ele sabia que ela estava ali. Sabia também que ela tinha visto.Bateu duas vezes.— Helena, abre a porta.Nenhuma resposta.Ele respirou fundo, girou a maçaneta. A porta estava destrancada.Helena estava perto da janela, os braços cruzados, os olhos vermelhos. Não era tristeza. Era fúria.— Então você resolveu aparecer — ela disse, sem olhar para ele.Rafael fechou a porta atrás de si com calma calculada.— Precisamos conversar.Ela riu, amarga.— Conversar? Sobre o quê? Sobre você transando com a Silvia aqui embaixo? Debaixo do meu nariz? Enquanto eu estava nessa casa como uma idiota?Ele manteve o rosto impassível.— Abaixa a voz.— Eu não vou abaixar nada! — ela se virou, os olhos brilhando. — Eu vi, Rafael. Eu vi tudo.Por um instante, houve apenas o som da respiração dela, acelerada, e o silêncio frio dele.— Você não entende como as
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