O cansaço não veio de repente.Veio como tudo vinha agora:devagar, constante, impossível de ignorar.Lívia acordou antes do alarme, o coração acelerado sem motivo imediato. O quarto ainda estava escuro, mas o corpo já reagia como se estivesse atrasada para algo que não conseguia nomear.Ela sentou na cama.As mãos tremiam levemente.— Não agora… — murmurou.Respirou fundo.Uma vez.Duas.O ar não parecia suficiente.Desde o depoimento, os dias tinham perdido contorno. Horários se misturavam. Noites não descansavam. O corpo estava ali, mas a mente seguia em alerta permanente — como se desligar fosse perigoso.Ela se levantou e caminhou até o banheiro.O espelho devolveu uma imagem que ela demorou a reconhecer.Os olhos estavam fundos.A pele, pálida demais.A postura… rígida, como se relaxar fosse um erro.— Você está bem — disse para o próprio reflexo, em voz baixa.A frase não convenceu ninguém.Na cozinha, o café ficou esquecido outra vez. O estômago não aceitava comida. Apenas um
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