A decisão não veio como epifania.
Veio como necessidade.
Na manhã seguinte, Lívia acordou com o corpo pesado, mas com a mente estranhamente clara. Não havia urgência imediata. Não havia ligações. Nenhuma nova manchete esperando por ela.
A proteção continuava ali.
O perigo também.
Mas, pela primeira vez em dias, havia um espaço mínimo entre ela e o caos.
— Hoje você não vai ao prédio — Dante disse, enquanto lhe entregava um copo de água. — Nenhuma reunião essencial exige sua presença física.
Ela hesitou.
— Eu não posso desaparecer.
— Você não está desaparecendo. — ele respondeu. — Está se preservando.
Lívia assentiu devagar.
Horas depois, sentada em uma sala simples, de luz suave, ela sentiu o desconforto de quem não sabe por onde começar.
A mulher à sua frente não usava terno. Nem jaleco. Nem tom institucional.
— Não precisamos falar do grupo hoje — disse, com voz calma. — Nem do caso. Nem da família Brandão.
Lívia estranhou.
— Então… do quê?
— De você. — respondeu a psicóloga. — Do q