O controle não voltou como força.
Voltou como silêncio organizado.
Lívia percebeu isso ao acordar naquela manhã sem o coração disparado. O corpo ainda estava cansado, mas não em alerta. A mente não começou o dia antecipando tragédias.
Ela sentou na cama e respirou fundo.
Uma vez.
Duas.
O ar entrou sem resistência.
Não era paz.
Era espaço.
Na mesa do café, Dante observava em silêncio enquanto ela comia devagar, sem pressa, como se cada gesto fosse deliberado.
— Hoje eu quero ir ao prédio — Lívia disse, por fim.
Ele levantou o olhar.
— Quer ou sente que precisa?
Ela pensou por alguns segundos antes de responder.
— Quero. — disse. — Mas não para reagir. Para posicionar.
Dante assentiu.
— Então vamos do seu jeito.
O retorno ao Grupo Brandão não foi anunciado.
Nenhuma coletiva.
Nenhuma expectativa criada.
Ainda assim, quando Lívia atravessou a recepção, algo estava diferente.
As conversas não cessaram abruptamente.
Os olhares não desviaram com culpa.
Havia curiosidade.
E respeito cauteloso