O prédio do Ministério Público era frio por natureza.
Vidro, concreto e corredores longos demais para quem já chegava cansado. Não havia jornalistas ali dentro. Não havia plateia. Apenas o peso institucional de quem sabe que pode decidir destinos sem levantar a voz.
Lívia passou pela porta giratória acompanhada por Dante e por dois seguranças discretos. Cada passo ecoava no piso polido como um lembrete silencioso: aquilo não era uma reunião. Era um teste.
— A partir daqui, só eu — Dante disse, parando diante da porta de madeira clara.
Lívia assentiu.
— Se eu travar… — começou.
— Você não vai. — Ele respondeu, firme. — E se ficar em silêncio por alguns segundos, não é fraqueza. É controle.
Ela respirou fundo.
Quando a porta se abriu, três pessoas a aguardavam.
Dois promotores.
Uma procuradora.
Nenhum sorriso.
Nenhuma hostilidade explícita.
A tensão estava no protocolo.
— Senhora Lívia Azevedo — iniciou a procuradora — esta oitiva tem caráter informativo. A senhora não é investigada nes