A resposta veio rápido demais para ser espontânea.
Às oito e dez da manhã seguinte à coletiva, o nome de Lívia Azevedo já não aparecia apenas em manchetes — aparecia em despachos.
Dante leu o documento em silêncio, uma vez, depois outra. O maxilar travado denunciava o que a voz ainda não dizia.
— Eles se moveram — afirmou, por fim.
Lívia estava sentada à mesa, café intacto à frente.
— Como?
Ele deslizou o papel até ela.
“REQUERIMENTO DE AFASTAMENTO CAUTELAR — PRESIDÊNCIA INTERINA”
A justificativa era técnica. Fria. Cirurgicamente construída.
“Risco institucional.”
“Potencial interferência em investigações em curso.”
“Conflito de interesse manifesto.”
Lívia leu até o fim sem interromper.
— Eles estão dizendo que eu atrapalho a apuração — disse, calma demais.
— Estão invertendo o papel. — Dante respondeu. — Transformando quem entregou os documentos em ameaça ao processo.
Ela assentiu lentamente.
— Quem assinou?
Dante respirou fundo.
— Três parlamentares ligados à comissão econômica. — d