Só no dia seguinte consegui sair da cama, o corpo pesado como se tivesse sido deixado para trás depois de tudo, cada movimento exigindo mais esforço do que devia, e a ausência de Matteo tornou-se gritante precisamente por isso, pelo silêncio absoluto em torno dele, como se ninguém ousasse pronunciar o nome ou explicar nada; caminhei até à casa de banho devagar, apoiando-me na parede fria, deixei a água quente cair sobre mim por tempo demais, tentando afastar a sensação de mãos que não eram dele e memórias que insistiam em ficar. Eu não o ouvi entrar; apenas senti o ar mudar ao meu redor, tornando-se mais denso, pesado, elétrico, como se a própria atmosfera tivesse sido comprimida pela presença dele antes mesmo que eu pudesse reagir. Virei-me devagar, ainda sob a água quente do chuveiro, e então o vi parado à porta, ocupando-a por completo, bloqueando a luz do banheiro com o próprio corpo, uma sombra sólida demais para ser ignorada. O terno tinha desaparecido. Ele vestia apenas cal
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