Acordei com o corpo pesado e a mente demasiado desperta, como se tivesse dormido apenas o suficiente para o corpo descansar, mas não o bastante para que a memória se apagasse. Durante alguns segundos permaneci imóvel, de olhos abertos, encarando o teto alto do quarto, enquanto imagens da noite anterior regressavam sem pedir licença. Não fragmentadas. Não confusas. Claras demais. Lembrei-me do peso dele sobre mim, do silêncio carregado depois, do modo como o quarto tinha ficado suspenso naquele instante que não era ternura nem promessa. E, sobretudo, lembrei-me do fim. De Matteo a afastar-se da cama com a mesma naturalidade com que tinha tomado tudo antes, do lençol a deslizar do corpo dele quando se levantou, completamente nu, sem qualquer pressa em cobrir-se, sem olhar para trás, como se a nudez fosse apenas mais uma extensão do poder que exercia sem esforço. Caminhou até à porta assim, absoluto, sem pudor, sem despedida, deixando-me sozinha no meio da cama, ainda quente, ainda presa
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