Samantha Eu sempre achei que, pra ser escritora, eu ia precisar estudar muito o mundo lá fora.Viajar, observar estranhos em cafés, ouvir conversa alheia no metrô.No fim, descobri que bastava sentar na sala da minha família.Ser autora em família dramática é como ter Netflix em casa, sem pagar assinatura.Tem reviravolta, personagem com passado sombrio, figurante roubando cena, vilão que vira mocinho. Às vezes, tudo isso na mesma pessoa. Por anos, eu fui a irmã que observava.Andryel achava que eu tava só no celular, mas eu tava anotando mentalmente cada diálogo atravessado, cada silêncio pesado, cada “depois a gente conversa” que nunca vinha.Minha mãe achava que eu era “a menina do mundo da lua”.Eu estava nos bastidores, montando cena. Quando a coisa entre ele e a Hadassah explodiu, parecia roteiro pronto.Patrão rico, funcionária de mundo diferente, família contra, passado pesando, culpa, segunda chance. Eu olhava pra aquilo tudo e pensava:— “Se eu colocar isso num livro, vão d
Leer más