Dante Montenegro não acreditava em coincidências. Para ele, tudo era consequência — direta ou indireta — de escolhas humanas. Ainda assim, havia algo profundamente desconfortável em perceber que, pela primeira vez, ele fazia parte de uma equação que não controlara desde o início. Isabel Duarte deixara de ser apenas um nome num relatório. Agora, ela ocupava espaço. Ele passou a observá-la com mais atenção do que pretendia admitir. Não como um homem curioso, mas como alguém que precisava entender o território antes de qualquer movimento. A investigação, antes fria e objetiva, tornara-se mais lenta. Mais cuidadosa. Quase respeitosa. — Ela saiu do consultório há dez minutos — informou Enzo, por mensagem. — Seguiu a pé. Dante estava no carro, estacionado a uma distância segura. Não a via diretamente, apenas sabia que ela estava ali, em algum ponto daquela rua comum demais para tudo o que carregava. Ele não desceu. Não atravessou a rua. Não fez nada além de observar o reflexo
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