Augusto Montenegro não aceitava perder o controle.
Nunca aceitara.
Para ele, poder não era algo que se negociava — era algo que se exercia. E ver o próprio filho agir fora do roteiro que ele traçara durante décadas era mais do que um desafio: era uma afronta direta à lógica que sustentava sua vida.
— Ele está se deixando conduzir por essa mulher — disse Augusto, andando de um lado para o outro no escritório amplo, as mãos cerradas. — Isso não é sentimentalismo. É imprudência.
Helena observava o pai em silêncio, sentada à poltrona oposta. Diferente dele, não elevava a voz. Seu poder sempre estivera na análise fria, na leitura dos riscos, na precisão das palavras.
— Você não sabe disso — respondeu, por fim. — Sabe apenas que perdeu influência.
Augusto lançou-lhe um olhar duro.
— Não confunda as coisas. Essa situação é um erro médico que pode custar milhões. Reputação. Nome.
— Ou pode ser uma cri