POV — Dante
Dante não via o pai havia semanas. Não por afastamento emocional — isso sempre existira — mas por estratégia. Sabia que aquela conversa não seria simples. Nunca era.
Augusto Montenegro não perdeu tempo com formalidades.
— Eu soube — disse, assim que Dante entrou no escritório amplo, decorado com símbolos de poder antigo. — E não foi pela clínica.
Dante manteve a expressão neutra.
— Então o senhor sabe mais do que deveria.
Augusto cruzou os dedos sobre a mesa, avaliando o filho como fazia desde a infância: não como alguém a ser compreendido, mas como um projeto inacabado.
— Existe um herdeiro — afirmou. — E isso muda tudo.
— Não muda nada — Dante respondeu. — Pelo menos não do jeito que você está pensando.
O pai sorriu de canto.
— Um filho é um Montenegro. Com ou sem sua permissão emocional.
Dante sentiu a mandíbula tensionar.
— Não ouse